Amor de pobre e amor de rico
Atenção: esse post contém spoilers do filme Amores Materialistas!
Ontem eu assisti Amores Materialistas. Achei fascinante o diálogo de Lucy com a colega de trabalho no comecinho, elas falando de pessoas como se fossem mercadoria.
O começo desse filme me irritou muito, achei ótimo isso porque senti que foi proposital que a protagonista fosse levemente babaca. Depois isso vai passando, não sei se é o suficiente pra capotar a visão que se tem dela, não consegui ser cativado pela atriz, mas pelo menos ela mostrou se importar com a cliente violentada e refletiu mais sobre o fato de que se relacionar também é gerir sentimentos, o que não parecia ser o caso no começo do filme, tudo parecia muito sintético.
É meio idealista também você abandonar um relacionamento promissor com um ricaço pra escolher o pobre fodido, acho que é o tipo de conto de fadas que a gente espera ver no cinema, ainda bem que esse horizonte não se perdeu pro realismo desesperançoso contemporâneo, o romance ainda vive.
Mas achei realmente a parte mais interessante do filme nas cenas de casamenteira. Nas exigências, os requisitos, como tudo é tão irreal e, principalmente, olhando isso como se fosse um reality show ou como se olhasse de fora, talvez de baixo pra cima. Gente rica é engraçada. Ainda bem que sou pobre o suficiente pra poder me relacionar com alguém por gostar genuinamente da pessoa. Só quem já viveu sabe como é acordar pensando em ver a pessoa, pensando em beijar, pensando como a pessoa tá. Lembrando do cheiro, do toque. Acordando com tesão, tudo molhado, a pele a ponto de se arrepiar só imaginando a pessoa riscar a pele como uma brisa leve no Parque da Jaqueira.
Rico parece que não tem isso e parece também que jamais terão. Ainda bem. Desejo que isso seja só nosso porque amar é punk. Ser rico é feiaço. Os cara trama casamento parecendo que tá procurando parceiro pedigree pra um cachorro cruzar e depois venderem os filhotes, 0% sensual.