Versão genérica

Sessão discada nº1 - Teeth - Die Spitz (2023)

Um preâmbulo nada prolixo, como sempre

Um dia eu tava ouvindo uma live do O Brasil Que Deu Certo e Ciro Hamen tava falando sobre o mais novo álbum de Olivia Rodrigo, dizendo que era o melhor álbum da história (eles sempre fazem essas brincadeirinhas exageradas, vão com calma). Fui lá ouvir o álbum no dia seguinte e não curti muito, mesmo com os argumentos que ele deu na live. Mas ele gostou tanto que fez até um vídeo no canal de YouTube que ele tem sobre filmes e séries só falando desse álbum. Como foi um caso incomum, fui lá assistir o vídeo.

Dentre os elogios e argumentos, que confesso notar sentido, ele conectou a artista e o lançamento do álbum ao Lilith Fair, um festival que aconteceu nos anos 90 só com bandas integradas ou lideradas por mulheres, falando um pouquinho sobre o Daisy Chain Fields também, que é uma recriação da mesma ideia, encabeçada por Olivia.

Pelo meio do caminho, não sei se naquela live ou se no vídeo, alguém mencionou a banda Die Spitz (talvez tenha sido Matheus Laneri, senão o próprio Ciro). O nome da banda ressurgiu nesse vídeo, como uma das bandas integrantes do festival e, na hora, lembrei que tinham falado que era ótimo, então, tirei 22 minutos do meu domingo para ouvir o álbum Teeth (2023).

O álbum

Confesso que fiquei com dúvidas no começo da primeira música. Mas, ao avançar do tempo, fui sentindo a energia do som crescer e isso foi me trazendo memórias boas. Parecia ter uma agressividade meio crua e indomada ali, com pouca preocupação em fazer um som limpo, uma gritaria que estava mais pra agressividade do que o geral do que se faz com gutural (que eu acho bem quadradão e sem graça).

Aos poucos, o som foi se tornando mágico. Me lembrei dos melhores e mais caóticos momentos de quando eu ouvia Nirvana, tem umas pitadas de grunge e de rock dos anos 90 no geral. Uma porrada atrás da outra, talvez seja o melhor álbum novo (pra mim) que ouvi em 2026.

Faixa a faixa

Grip foi o começo que me deixou interrogações. A primeira parte da música é meio devagar, parece que vai definir o que é o tom do álbum. Aí vem a guitarra acelerada com a pausa, o vocal explode, a bateria dispara. As coisas mudam de maneira drástica e isso demonstra a capacidade da banda, alternando também em breves pontes que me lembraram o que Metallica tem de mais melódico.

Hair of dog é onde tudo começa de verdade, onde a capacidade que eu tava me referindo é liberada. Música de fazer roda punk, música pra correr, extravazar, é a faixa onde você não consegue parar de se mexer porque a música te leva, uma delícia de ouvir. Groping dogs gushing blood segue a ideia, com elementos que me fizeram ter uma reação parecida. A cara da banda se mostra, e eu fui sentindo ali as semelhanças com o som de Nirvana com Chug. A alternância entre a voz mais calma e precisa contra a gritaria visceral como em Stay Away, Longe Act e Breed do Nevermind (1991).

O trio de faixas final não faz o nível cair. Marrowbone é outra porrada com um ótimo solo de guitarra. O riff de Slater é muito foda e Monkey song complementa a faixa anterior, essas duas últimas ainda mais agressivas que as músicas iniciais do disco, com uma sonoridade mais próxima de um metal meio sombrio, passando uma sensação de escuridão, morte, sangue, ritual (sei lá, viajei).

Obra foda, redonda, sem partes dispensáveis. Me lembrou a célebre frase de Matheus Laneri: "música, quando é feita com ódio, não tem pra ninguém".