Tudo o que eu joguei em 2026
Nota: esse post é o segundo de uma série anual que pretendo manter neste blog. Você pode encontrar o link para Tudo o que joguei em 2025 aqui
Eu sou uma pessoa muito desorganizada e esquecida, então vou usar meu blog pra poder guardar memórias e impressões de momentos do ano, meio como se fosse uma agenda. Não sei exatamente ainda qual a forma que isso vai tomar, mas por enquanto vou deixar essa seção separada: Tudo o que eu joguei em 2026. Sem mais delongas, aí vai.
- Overcooked 2: Gourmet Edition
Eu tava traumatizado com a minha experiência em Overcooked (o primeiro) e achei que seria uma péssima ideia jogar Overcooked 2 com a minha namorada no início do nosso relacionamento. No fim das contas, a gente arrasou. Conseguimos zerar fazendo 3 estrelas em todas as fases, fomos muito bem, foi uma experiência, ao mesmo tempo, desafiadora e prazerosa, uma sinergia que até me surpreendeu. Sorte no jogo e no amor?! 8/10 não recomendo que façam o mesmo porque o risco de sair uma briga disso é real.
- Hi-Fi Rush
Esse eu tava esperando pra jogar há 1 ou 2 anos com bastante empolgação, pensando que se tornaria um dos meus jogos favoritos. Na primeira sentada, pareceu que essa previsão ia se concretizar, mas a minha experiência com o jogo acabou não sendo tão boa quando eu gostaria daí pra frente.
Pra um jogo que depende do ritmo, a precisão é fundamental. Eu adoro hack 'n slash, mas não tenho tanta paciência pra fazer combos conscientes, sou um jogador simples e esforçado de apertar sempre o mesmo botão várias vezes até ver que o próximo golpe tá vindo, que é quando eu paro, recuo, esquivo. Quando eu tava jogando de fone com fio, a experiência até que tava legal, dava pra tentar acompanhar o ritmo das músicas, era bem feita a sincronização, eu não sentia que tava com delay significativo, delay físico mesmo, da velocidade com a qual eu apertava o botão.
Só que, ainda naquele comecinho, meu fone começou a dar defeito de um dos lados, o que ferrou a experiência por si só. Fui atrás de um adaptador bluetooth que funcionasse direito no linux (porque eu tenho muito fone bluetooth e não queria comprar mais um com fio) e achei um ótimo, mas parece que há um delay de microssegundos. Quer dizer né, eu de fato não sei. É meio imperceptível quando Chai fica parado e você olha o ambiente ouvindo a música sair pelo fone bluetooth mas, nas batalhas, parecia que sempre tava descompassado. Será que era só eu? (Podia muito bem ser a minha lerdeza sim kkkkkkk).
Enfim, isso fez a experiência ficar bem prejudicada pra mim. Não entendia direito se eu tava acertando ou não, as batalhas foram virando um parto (e eram pra ser a parte mais atrativa de um hack 'n slash né) e eu só decidi seguir em frente sem me importar muito com a questão rítmica do jogo (o que é um pecado, porque o jogo é sobre isso). Ainda assim, foi um jogo satisfatório de jogar, uma história bacana de cumprir, só não cumpriu o potencial que eu gostaria que tivesse cumprido. Daí, a tristeza com isso. Mas, sendo justo, é 8/10, de fato um bom jogo.
- Moving Out 2
Estávamos jogando esse antes de começar Overcooked 2, na verdade, mas acho que acabou enchendo o saco. Acontece né, jogo de puzzle é isso. E tem umas frescurinhas que... Te contar viu. Chato demais a hora de tentar empilhar uma coisa em cima da outra na área do caminhão. Mas não é um jogo ruim, só cuidado pra não se estressar com quem tiver contigo e tudo certo, 7/10.
- Supermarket Together
Esse até que é empolgante no começo, joguinho assim, de muita coisa pra fazer organizar, reorganizar e liberar vai te sugando a vida. É muito bom ser gratuito, é estável pra jogar online e diverte, surpreendentemente. Mas é aquilo também, depois de um tempo enche um pouco o saco de tanta coisa repetitiva. Todo dia parece igual, você vai fazendo as mesmas coisas o tempo todo. É bom quando os funcionários começam a fazer o que você tava fazendo no começo, mas toda IA é burra e aqui não é exceção, tem coisa que eles ficam fazendo que é meio inexplicável e você fica só pensando "puta que pariu essa loja era bem melhor quando eu fazia tudo sozinho, ô bando de gente burra viu!!!", 7/10 dá pra se entreter bacana.
- Cities: Skylines
Falei desse no ano passado brevemente e disse que não ia colocar na lista porque já tinha jogado antes. Eis que, agora sim, posso dizer que joguei Cities: Skylines, não só pelas horas que gastei no jogo, mas também por ter feito os cenários que as DLCs do jogo oferecem. Completei as 3 que são relacionados a alguma coisa verde e sustentabilidade (sei lá qual o tema disso) e iniciei uma outra que era pra resolver trânsito. Aí foi pro caralho, a cidade pronta, enorme, cheia de maluquice de rotatório. Isso me estressou, falando sério.
Os outros desafios não eram difíceis, apenas trabalhosos. Esse de 90% de felicidade geral e 85% de fluxo de trânsito é coisa de gente canalha que não tem o que fazer, e tudo isso em 200 semanas apenas ainda. Eu não gosto de sair mudando muito tudo, até dei uma olhada em youtubers desse jogo e nossa senhora, o trabalho que as pessoas fazem, as remodelações, as construções completamente providas de lógica e urbanismo...
Eu só queria ter a experiência de sentar a bunda na cadeira e ir colocando aleatoriamente as coisas à medida em que o jogo ia acontecendo. Talvez devesse ter ficado no modo sandbox mesmo. Esse desafio me frustrou de uma maneira que me deu vontade de nunca mais abrir o jogo. Passei 150 semanas tentando ajeitar a cidade e tudo que eu consegui foi 87% de felicidade me esforçando horrores. Era pra ser um jogo divertido (eu acho?) e até certa medida ele é maravilhoso, mas caí na armadilha: sandbox é muito sem objetivo pra mim e o desafio é chato demais de fazer. Pra evitar a fadiga, talvez eu nunca mais volte a jogar, mas deixo um 8/10 pra experiência mesmo assim (opinião válida para 24 de março de 2026, podendo ser atualizada a qualquer momento).
- Dirt Rally
Esse jogo me deixou abismado. Não que eu esperasse qualquer coisa da série né, já tinha tentado jogar Dirt 3 mas não consegui gostar (depois de 8h). Mas tudo bem. A minha expectativa pra Dirt Rally era baixíssima. O jogo conseguiu ser pior do que eu pensava.
Primeiro porque logo de cara eu percebi que o foco era ser um jogo online, coisa que detesto. Daí fui tentar jogar o modo carreira, jurando que iam me colocar pra ir correndo em corridas, talvez a jogabilidade não fosse tão fácil mas pelo menos poderia ser interessante. Comecei o primeiro torneio. Só corrida de tempo, sem adversários na pista. Fui pro segundo torneio. Mesma coisa. No terceiro torneio eu enchi o saco da jogabilidade, que realmente não me agrada, e desisti. É frustrante, é desinteressante e até me senti enganado. Em 47 minutos de gameplay o jogo não te manda uma corrida contra outros carros? Que porra é essa bicho, 0/10, instalei e fui jogar só pra pegar cartinha do steam mas foi a pior experiência recente que eu tive em jogos.
- Bastion
Um amigo já tinha recomendado esse anos atrás. No início, quando tentei jogar, acabei achando que a proposta era só "olha como o cenário responde ao avanço da história, com o narrador falando o que vai acontecendo". Rasa observação.
Deixei a experiência de lado pra favorecer outras jogatinas até que, ano passado, Pancho me deu o jogo no Steam. Ainda assim, relutei pra engatar no jogo no meio de tanta coisa que tava jogando, ainda mais quando comecei a dividir o tempo entre Hi-Fi Rush, Cities: Skylines e a correria da vida. De qualquer maneira, fui avançando bastante na história no fim de 2025 e voltei a me concentrar em Bastion assim que zerei Hi-Fi Rush, em março.
De fato, é mais do que só cenário e narração. Quer dizer, essa parte é muito legal e acho que faz do jogo o que ele é, é a impressão que marca primeiro, é o diferencial. Mas é legal também ver como o jogo é responsivo. A trilha sonora acompanha isso tudo, a jogabilidade é gostosa, as armas que você vai ganhando são interessantes e a história é curtinha, com mapas fechados, do jeitinho que eu gosto. 8/10, o menino bastião é legal.
- Outrun 2006 Coast to Coast
Arcade de corrida??? Mim dê, papai. Quer dizer, achei que era basicamente isso né. Na verdade, nem coloquei tanta fé por ver que era um jogo antigo e que parecia muito um jogo de fliperama, daqueles que você senta a bunda na cadeira e bota umas moedas.
Os primeiros minutos jogando o jogo me pegaram, tenho que admitir. Simples, direto e veloz, do jeito que eu gosto em jogo de corrida (não gosto da vertente das simulações nem do lenga-lenga de mundo aberto). Só que a dificuldade começou a apertar e eu fui procurando os outros meios que o jogo fornece pra você ganhar mais moedinhas e desbloquear os outros carros. Foi aí que entraram as missões da mulher loira que pede umas coisas meio insanas.
Inicialmente, eu até curti. É muita coisa aleatória, tipo conduzir uma bola de praia usando o carro, não bater, ultrapassar um monte de outros carros, bater em carro aleatório. Só que eu percebi que a ideia é você fazer e refazer os desafios. O caminho vai se bifurcando até se transformar numa coisa parecida com um triângulo cheio de pontinhos onde cada ponto é um desafio que você tem que cumprir e pra desbloquear as coisas, você tem que refazer os desafios lá do começão.
Aí eu percebi que essa porra ia dar um trabalho desgraçado e, infelizmente, desencanei do jogo. Vou dar um 6/10 porque enquanto tava bom, tava ótimo, jogo bem direto e simples, do jeito que eu gosto, mas aí esse embromation aí não me apetece, por isso acabei largando.
- Fort triumph
Imitação de XCOM, só que na temática fantástica de RPG. O gráfico é feiaço, naquele estilo de jogo pra celular, a dinâmica é bem simples, a progressão (no sentido de melhora das personagens) é meio lenta e, putz, eu larguei a historinha na primeira metade do Ato 1. Mas não vou dizer que não me divertiu né, eu adoro joguinho de estratégia por turno estilo XCOM, apesar de não jogar XCOM porque é difícil pra caralho, sou muito ruim. Enfim, 6/10 tranquilo, não consegui entender todas as mecânicas direito, mas gostei sim de jogar, no geral.
Adendos feitos após zerar: me diverti mais do que pensei com o jogo. Falei que não tinha entendido as mecânicas direito, especialmente as que constavam sobre explorar o mapa. Achei essa parte meio desnecessária pro jogo fluir até chegar no Ato 3, que foi quando o meu passeio aleatório pelo mundo quase me jogou num game over apesar de eu estar com heróis bem upados. Eu não tinha entendido pra quê capturar cidadelas e sair comprando heróis, tava fazendo só melhorias. Acabei perdendo a minha e tive que passar umas horinhas lutando contra outros grupos inimigos até restabelecer umas duas cidadelas e, assim, seguir pra zerar o jogo. Mais do que isso, consegui entender as mecânicas também. A importância de usar as habilidades cinéticas pra limitar as ações adversárias, como combar o paladino com as habilidades que eu tinha no bárbaro pra ele iluminar o mapa e eu jogar uma gigantesca bola de fogo com o mago, deixando o bárbaro soltinho pra farejar e pegar 1 ou 2 vítimas antes dos primeiros movimentos adversários, com o arqueiro catando os restos. Cara, que joguinho bom. Simples, de história meio meh e de gráficos extremamente joguinho de celular, mas bom. Gostei das mecânicas, me diverti jogando, sugou horas. Vou recalcular a nota pra 8/10. Pensei até em explorar mais o mapa antes de fazer a missão final, mas aí também já seria cansativo demais né, a melhor parte do jogo tá no combate tático mesmo, não na perambulação.
- Titan Quest Anniversary Edition
"Decepção" não é o melhor termo porque eu nem esperava tanto de Titan Quest. Legal, é um hack and slash daqueles que você só fica macetando o mesmo botão sem pensar muito em combos, esquivas e afins, jogo fácil e tranquilo demais de jogar nesse sentido. O fato de ter uns textinhos pra ler já me deu um pequeno soninho, não tive paciência pra NPCs desde o começo.
Foi ficando pior... Dinheiro parecia inútil, comprar item é besteira com tanto loot, dá pra farmar ouro muito fácil. O jogo em si é bem fácil mesmo mas, honestamente, isso tava longe de ser o problema.
Eu fiquei umas horas tentando fazer o jogo funcionar. Tava dando um bug na tela de menu, que mostrava uma tela de fundo preta. Descobri o problema mudando a imagem de fundo (o próprio jogo te permite fazer isso). Depois tive problemas pra alternar janelas (dar o famoso alt+tab) enquanto jogava (fundamental pra mim porque geralmente escuto música ou live de fofoca jogando joguinho assim). Acabei perdendo uns 20 ou 30 minutos de um save que tinha feito. Nada drástico, mas já não deixou uma imagem tão legal assim do jogo.
Pra encerrar com chave de bosta, fui sentar pra jogar o jogo de verdade pela 3º vez e devo ter jogado pouco mais de 1h. Fiz umas 3 ou 4 missões secundárias e tava bacana, mas fiquei com muitos questionamentos. Não entendi as habilidades que fui catando na árvore de habilidades, que inclusive é uma coisa que detesto porque nunca sei direito como fazer, no que focar, é sempre um inferno pra mim jogo que tem isso.
Enfim, tive que parar 3 vezes porque, de uma hora pra outra, sem mudar absolutamente nada, meu boneco parava de atacar. Simplesmente eu tava lá batendo em todo mundo e aí de repente ia bater em outro inimigo e meu boneco não respondia mais. Dava pra andar, tomar poções, fazer de tudo, menos atacar. Na primeira vez, achei que era bug simples. Salvei, voltei pro menu, voltei pro save. Resolveu. Na segunda vez, pensei "é, pelo jeito vou ter que zerar fazendo isso...". Refiz os passos, voltei a jogar. Na terceira vez, refiz os passos e o problema não passou. Zanzei pelo mapa por alguns minutos. Repensei a vida. É curta. O tempo é escasso. Não vou ficar quebrando a cabeça pra tentar jogar um jogo bugado que peguei de graça, dou 1/10 só porque enquanto eu joguei não foi uma experiência chata em si, diferentemente de Dirt Rally, mas o conjunto da obra não deixa de ser tenebroso e triste.
- Rogue Legacy
Joguinho leve e simples com premissa interessante de árvore genealógica pra cada morte, roguelite, do jeitinho que eu gosto. Só que achei os controles pouco fluidos. Não ajuda o fato de ser um jogo de plataforma também. Achei complicado de controlar, o pulo é meio selvagem e você acaba tomando dano de maneira bem rápida, não tem como evitar. O que é péssimo, porque a vida é pouca e o jogo quer te fazer morrer pra você iniciar uma nova run mesmo. Aí, sei lá, depois da 4ª tentativa em 8 minutos eu decidi que era melhor arranjar outra coisa pra jogar porque nitidamente não ia rolar. 2/10, talvez num dia que eu tivesse mais paciência, passasse da 1ª hora jogando e aí, quem sabe, a história poderia ter sido outra.
- Dungeon of the endless
Esse é uma revisita na esperança de que eu pudesse talvez tirar sozinho algumas horas de diversão que não consegui junto com amigos. O fato é que eu não entendia o jogo quando tentei jogar em multiplayer lá em 2021. Em 2026, sigo sem entender muito. O tutorial é bem básico, o jogo não ensina muita coisa, nada é muito intuitivo e, pelo que eu entendi, não é um jogo que te premia a cada morte (afinal, a própria página do jogo no Steam fala que é um roguelike, não um rogue lite). Isso desloca o jogo de ser uma experiência com senso de progressão pra ser apenas frustrante depois de um tempo, você achar que tá indo super bem e, de repente, ser engolido por hordas de inimigos.
Enfim, passei o olho num guia, tentei ver um vídeo explicando sobre como jogar. Aí fiquei me questionando: eu quero mesmo ter que ficar buscando material fora do conteúdo desse jogo pra aprender a jogá-lo? Mesmo compreendendo melhor as nuances, objetivos e maneiras eficientes e efetivas de jogar, decidi que a resposta pra minha pergunta era não. Daí, desencanei mesmo. 4/10, não é uma experiência horrível, só me pareceu sem sentido e desprazeroso o suficiente pra não querer ir além.
- Tomb Raider I-II-III Remastered Starring Lara Croft
Eu já tinha zerado Tomb Raider: Anniversary há muitos anos por recomendação de um amigo e, na época, tinha achado fenomenal o jogo. Foi em 2019, uns anos antes de conseguir jogar a trilogia que surgiu de 2013 em diante. Essa trilogia, por sinal, também é espetacular. Só elogios, só melhora, lembro de ter feito todas as missões de todos os jogos, tudo o que tinha pra fazer nos mapas (menos aquela história lá de Baba Yaga, fiquei com medo kkkkkkkk).
O contexto sobre a minha ligação com a franquia está dada. Aí entra o disclaimer: zerei Bastion e Fort Triumph, descartei Outrun e acabei tendo que puxar mais um jogo pra completar a regra de 3 que uso pra ter um número bom de joguinhos prontos pra jogar e falei mais em outro post aqui no blog.
Nesse meio tempo, puxei Titan Quest e me frustrei. Passei a semana tentando me enturmar com God of War: Ascension e também larguei Rogue Legacy e Dungeon of the endless. Foi assim que eu vim parar em Tomb Raider I.
Abri o jogo e achei travado. Fui olhar a lista de jogos da franquia e percebi que o jogo era apenas 10 anos mais velho que Anniversary. O amigo que me indicou Anniversary me falou que se tratava de um remake do I. Tomei a liberdade, então, de pular do I pro II. O jogo te sacode dentro de uma caverna. Um tigre aparece. Eu não entendi pra onde tinha que ir, então tive a genial ideia de tentar a DLC do I. Que também te joga dentro de uma caverna. Na teoria, é só pular e correr pra sair dali. Na prática, eu tentei 5 vezes e morri 5 vezes com aquele controle todo travado. Fui olhar um vídeo no Youtube pra ter certeza de que eu não tava fazendo a coisa errada. Não, era isso mesmo. Aí, sei lá, a vida é curta demais, etc, vamos evitar a fadiga do estresse né, 0/10 pra essa trilogia, envelheceu mal demais e mereceu o remake 10 anos depois.
Edit: meu amigo que tá viciado na série e jogando os jogos antigos, inclusive sem remaster, me indicou fazer o tutorial dos jogos pra pegar o jeito dos controles e dar mais uma chance. Achei o tutorial enigmático, não consegui fazer as coisas direito, não tem parte sobre combate. Mas fiz o tutorial e dei mais uma chance. Segui detestando jogar o jogo, infelizmente. A nota é a mesma.
- Burnout 3: Takedown
Amo jogo de corrida. Cresci com um jogo que nunca descobri o nome, jogava no PC windows 98 que tinha em casa. Era horrível. Depois eu conheci jogos fodas de verdade: a série Need For Speed, ainda no PS1. 1, 2, 3: Hot Pursuit. Quando eu vi aquilo se transformar no Need For Speed Underground 2 e depois no Most Wanted, eu pirei. MW ainda hoje é o meu jogo de corrida favorito de todos os tempos.
Esse preâmbulo aí só existe que Burnout 3: Takedown me transportou pra aquela época. Que jogo. A trilha sonora também é puro suco de anos 2000, com Fallout Boy, My Chemical Romance e Rise Against. Jogo direto, muita corrida, muito carrinho pra desbloquear. Pistas e adversários desafiadores, eventos variados, circuitos, sprints, eliminação. A assinatura registrada do jogo, que é abater carros adversários, também é bem divertido de fazer.
Não vou dizer que é perfeito. O fato de você não poder escolher um carro específico, comprar, tunar, pintar, tudo isso que tá muito relacionado a NFS, acaba fazendo com que a sua relação com os carros do jogo seja "tanto faz". Não entendi também a progressão do jogo. Acabei completando todos os eventos de corrida com antecedência e sem querer. Em uma progressão mais bem feita e mais bem pensada, isso estaria equilibrado, de forma que as últimas corridas disponíveis aparecessem junto com os eventos de demolição. Se bem que deixar uma coisa independente da outra também serve pra ser possível jogar todas as corridas sem depender das demilições e vice-versa, fica a gosto do freguês né... Enfim.
Pro meu caso, gostaria sim que a progressão fosse melhor equilibrada. Acabei fazendo uns 70 eventos de demolição seguidos no final do jogo porque já tinha completado todas as corridas. Ainda assim, é divertido de fazer, não vou reclamar muito, 9,5/10, não vou dizer que é perfeito mas certamente é um dos pontos altos do ano até agora.
- Red Dead Redemption 2
Sensação bem agridoce. RDR2 demorou muito a me fisgar (e ainda ando pensando sobre se isso chegou a acontecer de verdade).
A minha expectativa não se alterou mesmo após ter me decepcionado com o primeiro jogo da franquia (sobre o qual falei mal na entrada 8 do post sobre tudo o que joguei em 2025). Até conversei com alguns amigos e me garantiram: o 2 é infinitamente melhor que o 1.
Aí começou e os gráficos são lindos. O entorno parece vivo, NPCs conversam e interagem independentemente de interação sua. Parece orgânico. Que legal. Mas o nome do jogo é Red Dead Redemption 2, então tinha que ter um pezinho no seu antecessor. E tem.
Gostei da valorização do papel da caça, servindo pra um propósito coletivo. O dinheiro, que critiquei ser inútil no primeiro jogo, ganhou significado no começo do segundo pra ajudar o acampamento. Ao mesmo tempo, esse sentido também é perdido de maneira muito rápida. Os valores que você ganha começam a crescer e logo o dinheiro passa a ser inútil. O jogo também não te força a caçar, você faz se quiser. Como achei monótono, preferi não fazer. O jogo não me penalizou. Acho que deveria, tornaria as coisas mais interessantes.
As missões secundárias continuam bem meh. Parece que é só uma desculpa pra mostrar uma coisinha diferente, prefiro quando o jogo explora melhor as mecânicas que oferece usando essas missões. Quer dizer né, não que as mecânicas de RDR2 sejam lá muita coisa. Joguinho de tiro previsível, muito dependente de proteção e do slow motion e as armas disponíveis não ajudam muito na hora do tiroteio. O ritmo de tiro é lento igual ao primeiro jogo. Recarregar demora. Não interfere tanto na jogabilidade, mas dá uma aflição e impaciência chatas. As "cenas interativas" também são estranhas. Apertar um botão pro personagem fazer uma ação parece sem propósito. Não há puzzle na ação, não há necessidade de acerto de tempo como um quick-time event. Não há desculpas pra colocar esse tipo de coisa na jogabilidade, não agrega em nada. Tudo aquilo podia ser só cutscene e estaria tudo bem.
Carisma também andou em falta. Não sei se é só pelo fato de ser difícil criar criminosos sujos gostáveis, a Rockstar basicamente só faz jogo disso e já acertou várias vezes em quase todos os GTAs. Só consegui desenvolver simpatia por uns 2 ou 3 NPCs e demorou até o capítulo 3 pra eu me sentir impactado com algum acontecimento e realmente passar a me importar com aquelas personagens.
Para um jogo de violência, crime e mortes, é um roteiro extremamente conservador, que usa de personagens bem menores (e alguns propositalmente bem menos carismáticos) pra tentar, sem sucesso, instigar um sentimento de perda que vem de maneira lenta demais, muito longe do que uma história Game of Thrones poderia entregar (falo isso a efeito de comparação e pensamento desejoso meu).
Puxando o ponto do parágrafo anterior, o roteiro me parece aquém do que poderia em termos gerais. São missões demais feitas com uma coletividade de personagens que parecem indestrutíveis e inatingíveis, o que torna tudo monótono porque parece que não há consequências. O desenrolar lento do jogo não faz uma balança boa o suficiente com a tensão dos Pinkertons espreitando a vida do bando. Depois de um tempo, Dutch começa a ficar mais violento e Arthur passa a questionar essa matança desnecessária, sendo que ele mesmo mata qualquer um por qualquer motivo durante toda a jornada do jogo.
Ao fim da história, descobri que o jogo tem 2 pés no seu antecessor. O final é lento, deslocado, até meio desnecessário, assim como no primeiro. Mais uma vez o jogo te leva a missões que parecem coisa de início de jogo, não de fim, mostrando mecânicas que não tinham sido usadas para nada antes e não serão usadas para mais nada depois. É basicamente apenas uma história interativa, o que não seria um problema se o propósito do jogo fosse realmente esse, mas não é o caso. Pra piorar, essa reta final continua se arrastando a ponto de terem feito um epílogo em duas partes. Era pra ser uma DLC? É uma DLC? Não entendi, só achei extremamente paralelo e estranho passar tantas horas dali pra frente depois do que deveria ter sido o ponto alto e impactante do jogo após a "missão final", se é que posso chamá-la assim. Além do mais, toda a odisseia contada no epílogo me parece desnecessária enquanto enredo de Red Dead Redemption 2 como jogo e história por si só. Caberia em uma DLC (debatível sobre se valeria gastar com ela ou não), mas acho que não junto do jogo base. Já é extremamente evidente que quiseram extrair o máximo de dinheiro possível da franquia inventando Arthur nessa história onde antes não tinha (não tem menção sobre ele no primeiro jogo), prolongar tanto assim a história pra incluir essa reta final com John construindo a fazenda, pra mim, só mancha a história que construíram antes. O "plot twist" do final (alerta de spoiler!!) com Dutch atirando em Micah e te salvando sem falar nada, deixando o dinheiro e indo embora... Extremamente aleatório. Eu não consegui simpatizar com o roteiro.
Não vou dizer que o jogo é péssimo. Acho que o mundo interessante, desafiador, cheio de segredos e paisagens bem arquitetadas de Breath of the wild e a construção narrativa maravilhosa e a imersão que GTA 4 conseguiu impor em mim talvez tenham estragado minha experiência com jogos de mundo aberto no geral. Talvez (é, to citando BOTW de novo, assim como na review de RDR 1 porque, bem, é a minha nova referência de jogo de mundo aberto). Ou talvez RDR2 seja apenas um jogo bem fraco mesmo, tipo um 5/10 com um pontinho dado a mais pelos gráficos bonitinhos e pela oportunidade de explodir membros da KKK usando dinamite.
- God of War: Ascension
Não tem jeito, joguinho de porrada é bom demais. O lado cinematográfico tá mais discreto, mas também mais moderno em alguns momentos, lembrando a perspectiva de 3ª pessoa dos jogos atuais. O jogo é responsivo, dá variedade de estilos com as bênçãos diferentes dos deuses pra usar e as armas extras que você pode ir catando pelo chão do cenário.
De resto, é God of War como sempre e, como sempre, a história é bem fraquinha. Mais que isso, essa eu até senti zero vontade de buscar entender, de tentar pegar quem é que tá ali protagonizando o jogo com Kratos. Historinha meiota, conexão fraquíssima com a história principal, achei forçada. Valeria muito mais colocarem aqui a historia de Kratos em ascensão para se tornar um grande guerreiro, o líder do exército de Sparta, uma incursão com mais elementos humanos no começo, passando depois dali para explorar as primeiras missões sob o comando de Ares, as pontadas de dúvida e raiva, as sementes que o levaram a trair seu mestre e o levaram a se tornar o deus da guerra em seguida.
É triste ver como a Sony forçou de tudo (e ainda força, com o reboot) pra extrair tudo o que pudesse do que era uma boa ideia lá no 1 e no 2. O resultado é mais uma vez um jogo tecnicamente bem feito, bonito, bem pensado mas com personagens esquecíveis, história desinteressante e um tremelique atrás do outro na câmera, quase que minha retina sai do lugar. Não, sério, esse é de longe o pior aspecto do jogo. É difícil de jogar porque as coisas se mexem muito, tem muito elemento na tela e eu tenho uma dificuldade imensa de entender aonde o boneco que eu to controlando tá porque mal dá pra enxergar, 5/10, vamos ver se o próximo é isso tudo que pintam mesmo.
- Midnight Club 3: DUB Edition Remix
Talvez eu odeie a rockstar??
O jogo tem ótimas opções de tunagem e modificação dos carros, lembra muito a liberdade dos Need For Speed de ps2 nesse quesito, o que é ótimo. Excelente ponto de partida. Mas jogo de corrida não é só isso e se fosse só pra fazer você tunar o carro, era melhor ter feito um Car Mechanic Simulator né...
Aí entram os pontos negativos do jogo. A polícia não faz sentido nenhum. Só tá ali pra te atrapalhar e atrapalha pra caralho, parece que sabiam que o jogo é muito fácil e colocaram a polícia pra ser um dificultador. Fora isso, não tem o bônus de mecânica de polícia que Need For Speed Most Wanted tinha, tanto em fazer parte da história como em fazer sentido pro jogo em si. Quer dizer, você anda por aí pela cidade e a polícia não te incomoda no modo livre, mas te incomoda na corrida??? Isso da polícia também me estressou porque, por causa dela, peguei um bug que me jogou numa queda sem fim dentro do jogo depois de uma colisão, o que me fez perder uma corrida e ter que reiniciá-la.
E outra: a Rockstar é muito "mas olha, somos mais realistas, nosso jogo tem pedestres!!!". E o pedestre serve **pra quê* em Midnight Club 3? Você chega perto com o carro e eles saem pulando de uma maneira meio ridícula. Quase seria um ponto de imersão, só que não chega a ser porque se você for gaiato, dá pra mudar a direção do carro na hora e passar por cima do pedestre mesmo assim. Daí a imersão é quebrada porque não acontece nada com o pedestre, eles são fantasmas que você passa por dentro. Se era pra o jogo ser assim, qual a serventia de ter isso? era melhor ter feito como qualquer outro jogo de corrida, sem pedestre nenhum kkkkkkkk.
A física do jogo também é esquisita. O carro é muito leve, as curvas são muito fáceis. Isso de você ser livre pra fazer o seu caminho dentro do mapa do jogo é uma proposta bem interessante, lembra as missões de corrida de GTA, mas ali tudo é muito melhor executado e os gráficos também são bem mais bonitos. Outro ponto negativo é que como o mapa inteiro parece todo igual (confesso que joguei pouquíssimo, coisa de umas 2 horas, mas fiquei com essa impressão aí), sem grandes distinções entre os quarteirões, isso deixa as coisas meio confusas às vezes, faz você perder a referência. Enfim, que bagunça esse jogo, 3/10 até continuaria jogando pra ver se algo melhora, mas senti que ia ficar por isso mesmo e decidi que era mais saudável não ficar perdendo meu tempo ali.
- Star Wars: Knights of the old republic
To me questionando se eu deveria incluir esse jogo aqui na lista porque o total de tempo que deixei ele rodando foi 11 minutos, sendo uns 5 desses tentando ajeitar a resolução da tela.
Tudo bem o jogo envelhecer mal nos gráficos e não ter suporte pra tela widescreen. O que realmente me incomodou foi que você precisa arrastar o mouse até o canto da tela ou ficar segurando o botão direito pra mudar onde o boneco tá olhando. Vi na hora que isso não seria prático e pensei "e se eu baixar um mod?". Aí olhei um vídeo no youtube e desisti. Não vou nem deixar nota porque seria injusto. Falam que é um bom jogo, que a história é legal. Jamais saberei porque envelheceu que nem leite no calor de 40 graus.
-- Vem mais por aí --