Sessão discada nº2 - you seem pretty sad for a girl so in love - Olivia Rodrigo (2026)
Seguindo a ponta solta que deixei lá na primeira edição da sessão discada com a missão de dar ponto nesse nó, chegou a hora de falar sobre o álbum de 2026 de Olivia Rodrigo, you seem pretty sad for a girl so in love. Dessa vez eu vou tentar ser mais direto.
O álbum
Confesso que não gostei do álbum na primeira vez que o ouvi. Lembro bem que eu tava faxinando o banheiro e deixei a música tocar de fundo tentando refletir sobre cada faixa enquanto esfregava cada centímetro de rejunte mas, de cara, as músicas não me agradaram tanto e aí eu fui deixando os pensamentos me levarem, o que acabou me fazendo desconcentrar do que eu tava ouvindo.
Pra ser justo com o álbum (e tentando achar mais do que eu tinha encontrado na opinião tão calorosamente apaixonada por aquelas músicas que Ciro Hamen deu), eu fui lá ouvir de novo e fui me surpreendendo. Já tinha na cabeça que u + me = <3 era uma boa música mas, mais concentrado, percebi como tinham outras melhores. Ainda assim, não foi o suficiente ali pra me fazer realmente gostar da obra como um todo. Tinha reconhecido e aceitado que talvez não fosse pra mim.
Eis que, pra bater o martelo e trazer minhas opiniões pra Sessão discada, resolvi ouvir o álbum outra vez. E acabei parando no meio porque não deu tempo de ouvir tudo indo de casa pro trabalho (é um trajeto de uns 15 minutos kkkkkk depois também esqueci de continuar ouvindo). Então agora veio aí, dia 11 de julho, sentei o rabo na cadeira e ouvi tudo prestando mais atenção (enquanto jogava também, vamos ser justo). E que surpresa boa pra mim mesmo?!
Fui injusto. Também não vou dizer que é um álbum sensacional e maravilhoso, infelizmente ele tem partes que não me apetecem musicalmente, mas no geral é um bom álbum, como os outros 2 de Olivia também são. As letras são gostosas e, apesar de o som não remeter tanto à parte que eu mais gosto do primeiro disco dela, ainda tem aquelas suaves só na voz e no violão ou piano, com backing vocal acompanhando e umas releituras mais próximas de uma pegada rock anos 80 mais romântico.
Faixa a faixa
drop dead não é um início brilhante. Lembra Swift, o que é um mal sinal. Apesar disso, acho a letra interessante, um drama gostoso que só quem ama exageradamente entende. Algumas partes lá pra ponte são legais e o solo também é bom, a música ganha mais corpo no fim e deixa a impressão de "mais ou meeeenos" pra trás.
Aí vem stupid song.
You're a spark in the dark and my clothes all caught aflame
You should feel how I feel when somebody says your name
I'm a car speeding down the boulevard without a brake
And I want you more than any stupid song could ever say
I'm a heart made of wax and I'm melting in the Sun
I'm a thread on your shirt that is coming undone
I feel right, I feel wrong, I feel totally insane
And I want you more than any stupid song could ever say
Isso aqui é arte. É tão lindo que eu queria ser esses versos, apenas palavras. Ainda casa com o fato de que essa música já é um pouco mais agressiva depois de um começo calmo, é gostoso ver ela crescendo.
honeybee completa essa sensação com outra letra muito foda. Até cheguei a me perguntar "será que era muito cedo pra uma música mais calminha no piano? Eu não sei dizer. Só sei que o álbum faz essa alternância mesmo e, apesar da estranheza que eu senti na hora das mudanças de faixa (tava esperando algo mais agitado pra continuar de onde stupid song parou), honeybee se sustenta porque também é ótima.
maggots for brains começa a tendência complementar do álbum, que é uma pegada 100% anos 80, o que não necessariamente é um ponto positivo, mas essa se revela uma música bem legal, com um solo daora.
u + me = <3 é uma das minhas preferidas do álbum, baladinha rock. Não é à toa que a guitarra lembra The Cure também e casa bem com a sequência, my way, talvez a mais agressiva. É meio engraçado virem depois de tanta música mais romântica e me deixou reflexivo porque parece um ponto de virada do álbum. Parece.
Porque purple faz tudo voltar pra calmaria. Talvez seja o momento mais fraco pra mim, distoa um pouco, mas a música não é necessariamente ruim, só causa uma estranheza.
Felizmente, a próxima é the cure, outro musicaço. Questionamentos demais na letra, o tom meio triste do violão me lembra Something in the way (Nirvana) por causa do intervalo entre os acordes do primeiro verso. O refrão chega tipicamente Olivia Rodrigo, a voz cresce junto com o drama, sempre ótimo ver isso.
Daí pra frente, acho que o melhor já passou. begged parece um retorno à Olivia do primeiro álbum com uma daquelas mais calmas, só na voz e no violão. what's wrong with me não é uma música ruim. A letra é legal, eu só queria que a bateria soasse menos eletrônica. less também me lembra Olivia do primeiro álbum, só voz e piano. Dessa vez, até melhor, mais drama, mais tristeza, toca fundo, parece que rasga a gente.
expectations dá um novo resgate, de novo bebendo nos anos 80. Essa é a mais eletrônica do álbum, o que não é uma coisa que eu curto muito, mas achei muito legal, tem o molho e deixa uma sensação boa pro fim do álbum. O que acaba sendo ruim, porque cigarrette smoke sinceramente não seria minha escolha pra encerramento. Mas quem sou eu né? Só sei que não curti a música como um todo e não acho que o melhor lugar pra ela seria ai. Ficou um fim meio decepcionante.
Ainda assim, não estraga em nada o trabalho. Como sempre, acho que algumas faixas estão bem abaixo das melhores, mas as melhores que Olivia Rodrigo proporcionam são sempre bem fodas, ela tem um teto alto.